
As pesquisas de opinião pública no Brasil costumam apontar a corrupção como um dos maiores problemas do país. No entanto, a prática nas urnas revela um cenário radicalmente oposto. Em um artigo recente e contundente publicado no portal Metrópoles, o jornalista Mario Sabino expôs uma ferida aberta na nossa sociedade. A sua tese central mostra que a polarização política no Brasil funciona como uma fachada ideológica. Dessa forma, o eleitorado esconde o seu próprio relativismo moral atrás de discursos inflamados.
O jornalista baseia a sua crítica nas recentes investigações sobre o senador Flávio Bolsonaro. Segundo a imprensa, o escritório de advocacia do parlamentar emitiu e cancelou notas fiscais suspeitas. Os valores somam R$ 1 milhão e têm como destino uma empresa de fachada. O senador defendeu-se rapidamente. Ele afirmou que a transação é “completamente legal e privada”. Porém, o colunista ironiza a justificativa ao dizer que há pouco angu para muito caroço nesse caso.
O “Sem-Vergonha de Estimação” e a Seletividade Moral
A grande provocação de Sabino, contudo, não reside na denúncia do fato em si. O autor foca a sua atenção na reação do público comum. Existe uma gritante incoerência entre o discurso público do cidadão e a sua prática política.
Historicamente, a nossa cultura entronizou a malandragem como um valor pátrio. Quando esse comportamento migra para a esfera pública, nós testemunhamos o nascimento do “político de estimação”. Portanto, a indignação real com o desvio de conduta sumiu do debate. O eleitorado substituiu a ética por uma indignação puramente seletiva. Afinal, as pessoas não odeiam o erro, mas sim o adversário que o cometeu.
“Vamos deixar de hipocrisia de uma vez por todas: os eleitores brasileiros adoram um sem-vergonha, desde que seja o seu sem-vergonha…” — Mario Sabino
Esquerda e Direita Unidas pelo Relativismo
Para sustentar a tese de que a polarização política no Brasil é superficial, Sabino distribui críticas para os dois lados. Ele prova que o relativismo moral une os extremos do espectro partidário.
- À Direita: Os defensores da “moral e dos bons costumes” silenciam diante de escândalos financeiros. Além disso, eles culpam a imprensa ou alegam perseguição política para blindar os seus líderes.
- À Esquerda: Os eleitores reconduziram Luiz Inácio Lula da Silva à presidência. Para isso, o grupo ignorou condenações anteriores por corrupção que o Judiciário anulou por motivos processuais.
Essa equivalência prática demonstra que os extremos se tocam quando o assunto é integridade. A suposta guerra ideológica que divide famílias não passa de um teatro de aparências. No fundo, ambos os lados aplicam a mesma regra: a busca pelo poder absoluto absolve qualquer pecado.
Por Que a Polarização Política no Brasil Favorece a Impunidade?
Quando a sociedade abre mão de punir os seus representantes pelo voto, ela destrói o mecanismo de fiscalização democrática. Atualmente, a polarização política no Brasil transformou as eleições em um campeonato de torcidas organizadas.
Se um político aliado comete um deslize, a militância age rápido para relativizar o ato. Eles usam desculpas vazias e blindam o culpado de qualquer punição. Como resultado, nós criamos um ambiente institucional onde a impunidade ganha força graças à própria base eleitoral.
A verdadeira mudança não virá com a vitória de um salvador da pátria. Pelo contrário, o país só vai avançar no dia em que o cidadão parar de defender o seu próprio político de estimação.ia de um salvador da pátria. Pelo contrário, o país só vai avançar no dia em que o cidadão parar de defender o seu próprio político de estimação.
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