A saída do ministro Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Lula foi oficialmente atribuída a motivos pessoais e familiares. Porém, existe debate sobre se a repercussão do contrato de consultoria do seu escritório com o Banco Master ajudou a antecipar essa decisão.
Após se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), Lewandowski retornou à advocacia e celebrou um contrato de consultoria jurídica com o Banco Master, que rendeu cerca de R$ 250 mil por mês e seguiu até setembro de 2025, parte desse período enquanto ele já estava no governo federal.
Segundo fontes de bastidores e apurações jornalísticas, integrantes do governo entenderam que essa relação poderia gerar desgaste político caso ele permanecesse no cargo diante da crise do banco e das críticas públicas que surgiram. Essa leitura interna aponta que o contrato com o Master ajudou a antecipar sua saída do ministério para evitar impacto maior na gestão.
Por outro lado, autoridades do governo afirmaram que o caso não motivou diretamente a demissão. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou que o governo sabia de consultorias anteriores prestadas por Lewandowski e que ele se afastou dessas atividades ao assumir o ministério. Ela minimizou qualquer relação entre o contrato e a decisão de deixar o cargo.
Além disso, após sua saída do ministério, a Comissão de Ética Pública autorizou Lewandowski a retomar a advocacia sem cumprir o período tradicional de quarentena, embora com restrições para atuar em áreas relacionadas ao antigo cargo.
Resumo
- Contrato com o Banco Master continuou recebendo pagamentos enquanto ele era ministro, o que levantou críticas e questionamentos públicos.
- Fontes internas e apurações sugerem que o caso criou desgaste político que pode ter acelerado sua decisão de deixar o governo.
- Autoridades do governo negam que a consultoria tenha sido causa formal da saída, afirmando que ele já havia se afastado das atividades privadas antes da posse.
Linha do Tempo: Contrato com Master e Ministério da Justiça
Abril de 2023
Ricardo Lewandowski se aposenta do STF e volta à advocacia.
Ele então passa a atuar no escritório da família Lewandowski Advocacia, que recebe clientes, incluindo o Banco Master.
28 de agosto de 2023
O escritório da família Lewandowski firma contrato de consultoria jurídica e institucional com o Banco Master, no valor de R$ 250 mil mensais.
1º de fevereiro de 2024
Lewandowski assume o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Lula.
Antes disso, ele formaliza sua saída do escritório em 17 de janeiro de 2024 e suspende seu registro na OAB.
Fevereiro de 2024 – Setembro de 2025
Mesmo após Lewandowski já estar no governo, o escritório continua a receber pagamentos do Banco Master por consultoria — totalizando cerca de 21 meses com ele como ministro em exercício.
Durante esse período, aproximadamente R$ 5,25 milhões foram pagos enquanto ele já ocupava a pasta da Justiça.
Setembro de 2025
O contrato de consultoria com o Banco Master é encerrado.
Ao todo, o escritório recebeu cerca de R$ 6,5 milhões durante toda a vigência do acordo.
9 de janeiro de 2026
Ricardo Lewandowski deixa o cargo de ministro da Justiça.
Oficialmente, ele citou motivos pessoais e familiares para a saída, sem vincular publicamente o contrato com o Banco Master como causa direta.
Resumo visual da sequência
| Período | Evento |
|---|---|
| Abril/2023 | Lewandowski se aposenta do STF e volta à advocacia |
| Ago/2023 | Contrato com Banco Master firmado |
| Jan/2024 | Saída do escritório e suspensão da OAB |
| Fev/2024 | Assume Ministério da Justiça |
| 2024–2025 | Pagamentos continuam ao escritório |
| Set/2025 | Contrato encerra |
| Jan/2026 | Sai do governo |
Observações importantes
- O contrato foi firmado antes de ele assumir o governo, mas os pagamentos continuaram durante sua gestão.
- Lewandowski se desligou formalmente do escritório antes de tomar posse, e o contrato passou a ser gerido pelos seus filhos.
- Não há declaração oficial de que o contrato tenha sido a causa formal de sua saída do governo, embora o caso tenha gerado forte desgaste político e debate público.
