Por que parte do STF resiste a um Código de Ética?

A proposta de criação de um código de ética no STF, defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin, encontrou forte resistência interna.
À primeira vista, a discordância parece técnica. No entanto, uma análise mais profunda mostra que o impasse é político, institucional e pessoal.

O ponto central é simples: regras claras geram limites reais.
E limites não interessam a quem exerce poder sem controle.

O que mudaria com um código de ética?

Um código vinculante não criaria privilégios. Pelo contrário, reduziria a zona cinzenta hoje existente em temas como:

  • participação em eventos patrocinados;
  • contatos informais com partes interessadas;
  • remuneração por palestras privadas;
  • exposição político-midiática;
  • conflitos de interesse fora dos autos.

Essas práticas não são, hoje, claramente vedadas.
Por isso, permanecem sem sanção objetiva.

Quem mais resiste?

Não é coincidência que os ministros mais resistentes sejam justamente aqueles que:

  • concentram maior protagonismo político;
  • já foram alvo de críticas públicas por condutas controversas;
  • exercem influência além da função jurisdicional.

Quando normas objetivas passam a existir, críticas deixam de ser morais e se tornam infrações formais.

O falso argumento da independência

Afirma-se que um código ameaça a independência judicial.
Entretanto, nas democracias maduras, ocorre o oposto:

independência para julgar
não significa
liberdade para agir sem limites.

Códigos de conduta existem exatamente para proteger a instituição, não para enfraquecê-la.

Autodefesa corporativa

Desde que ampliou suas próprias competências, o STF passou a atuar como ator político central.
Ao mesmo tempo, recusou qualquer forma externa de controle.

Esse movimento revela um padrão:
quanto mais poder se acumula, menos se aceita ser regulado.

Logo, a resistência não é neutra.
Ela funciona como mecanismo de autopreservação.

Conclusão

A rejeição ao código de ética no STF não é apenas jurídica.
Ela protege interesses, mantém privilégios e impede a criação de limites objetivos.

Um código não ameaça a Justiça.
Ele ameaça quem se acostumou a agir sem freios.

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