
A política brasileira atravessa um período marcado por descrença, desconfiança e desrespeito aos princípios éticos que deveriam nortear a vida pública. Desde a era Bolsonaro, observa-se um cenário em que a intolerância, a agressividade e a falta de respeito ao próximo se tornaram práticas comuns no convívio social. Esse comportamento, longe de ser espontâneo, tem forte influência no exemplo oferecido pela classe política.
Os cidadãos, que deveriam ser inspirados pela paz, pela moral ilibada e pela convivência fraterna, estão cada vez mais expostos a discursos de ódio. A intolerância cresce, seja em razão da cor, da religião ou da preferência partidária. A harmonia social, que deveria ser cultivada, acaba cedendo espaço ao confronto e à divisão.
Esse processo tem origem no próprio desprezo dos políticos pela inteligência de seus eleitores. O mandato, que deveria representar os interesses do povo, é utilizado, em muitos casos, como instrumento de poder e de enriquecimento pessoal. O compromisso com a ética e com a função pública é deixado de lado, enquanto a busca incessante por vantagens financeiras — lícitas ou ilícitas — se sobrepõe ao bem-estar da população.
A consequência é clara: o povo sofre, a sociedade se fragiliza e a confiança nas instituições se esvai. Os representantes, ao agirem dessa forma, transmitem a mensagem de que sua palavra deve ser tomada como verdade absoluta, desconsiderando a capacidade crítica da população. Esse menosprezo reforça a ideia de que os cidadãos devem apenas “engolir” decisões, sem questionar.
A política não pode ser sinônimo de enriquecimento privado. Ela deve ser instrumento de transformação, solidariedade e construção de uma convivência pacífica. Enquanto o mau exemplo predominar, a sociedade continuará a pagar o preço da corrupção, do desrespeito e da manipulação. O desafio é resgatar a confiança e reafirmar valores como ética, moral, fraternidade e justiça. Só assim será possível reconstruir a esperança no futuro democrático do Brasil.
