
Discussão sobre o legado de Tite
O futebol brasileiro voltou a discutir o legado tático de Tite após a demissão de Fábio Carille do Sport, logo depois da goleada sofrida para o Flamengo. A situação lembra o destino de Fábio Xavier no Santos, outro treinador identificado como pupilo do ex-técnico da Seleção. A pergunta que surge é inevitável: o esquema de Tite não serve para os clubes brasileiros?
O modelo implantado por Tite é baseado em disciplina tática, posse de bola controlada e transições bem desenhadas. No papel, a proposta é moderna e competitiva. No entanto, dentro da realidade dos clubes brasileiros, o encaixe parece mais difícil. Elencos curtos, pressão imediata por resultados e pouca paciência de dirigentes e torcedores tornam o sistema de jogo muitas vezes impraticável.
Herdeiros enfrentam problemas
Carille e Xavier, como herdeiros dessa escola, enfrentaram problemas semelhantes: dificuldade de adaptação dos atletas, excesso de rigidez no posicionamento e falta de repertório ofensivo para superar defesas fechadas. Contra adversários com maior poder técnico — como o Flamengo — a vulnerabilidade do esquema se tornou evidente, culminando em goleadas e demissões.
Isso não significa que o método de Tite seja ineficaz em si. Ele mostrou resultados na Seleção e em times que lhe deram tempo para trabalhar, como o Corinthians. O ponto crítico está no contraste entre teoria e prática: enquanto o futebol brasileiro exige imediatismo e espetáculo, a filosofia de Tite pede continuidade e paciência.
Assim, a crise de seus discípulos escancara um dilema maior: ou os clubes repensam sua forma de cobrar resultados, permitindo que projetos de médio prazo amadureçam, ou treinadores ligados a essa escola continuarão fracassando no Brasil. O problema, portanto, não é apenas o esquema de Tite, mas a cultura do futebol brasileiro, que ainda não aprendeu a respeitar o tempo de construção de um trabalho.
